O Que é um Tornado?
Um tornado consiste em uma violenta coluna de ar, móvel e rotativa, que pode, ou não, entrar em contacto com o solo. A palavra tornado é de origem castelhana e pretende transmitir a noção do movimento circular de um torno que caracteriza o movimento do ar neste fenómeno. Camões já tinha apresentado uma visão da tromba d’água, ou tromba marÃtima, um fenómeno com a mesma tipologia do tornado, mas no mar. Diz n’Os LusÃadas: “Ver as nuvens, do mar com largo cano,/Sorver as altas águas do oceanoâ€.
Fotografia de Greg Stumpf
Fotogr. Dr. Joseph Golden / NOAA
Realmente aquilo que Camões descreve, é um turbilhão cuja presença se manifesta por uma coluna nebulosa, ou funil, ou tromba que, tal como a do elefante, umas vezes sobe e outras desce durante o seu ciclo de vida, sorvendo as águas do oceano ou, se em terra, emergindo da base de uma nuvem de desenvolvimento vertical, o cumulonimbo, e espalhando poeira, detritos e outros objectos arrancados do solo.
A forma afunilada de um tornado só é visÃvel quando arrasta com ele poeiras, sedimentos ou gotas de água.
A previsão deste tipo de fenómenos é muito difÃcil. Nos Estados Unidos da América, por exemplo, os tornados ocorrem com tal frequência em certas regiões que foi possÃvel o nascimento de uma actividade, os caçadores de tornados, que se dedicam a procurar e identificar qualquer indÃcio de surgimento de um tornado, de modo a transmitir essa informação aos serviços estaduais de protecção civil.
Origem dos Tornados
Os tornados ocorrem, geralmente, no decorrer de tempestades severas, junto de sistemas frontais, onde existe uma diferença significativa de temperatura entre as massas de ar adjacentes. A sua formação é feita em altitude, desenvolvendo-se posteriormente até ao solo, altura em que atinge a maturidade, podendo-se gerar mais do que um tornado ao mesmo tempo. O primeiro sinal de desenvolvimento superficial destes turbilhões de ar é um remoinho de poeira junto ao solo. Com o tempo, a coluna de ar vai estreitando até se dissipar por completo.
Fonte: NOAA
Os tornados deslocam-se a uma velocidade média de cerca de 48 km/h, ao longo de vários quilómetros, variando de quase estacionários até cerca de 115 km/h. O seu diâmetro médio ronda os 50 metros, podendo chegar, no entanto, até 1,6 quilómetros.
Este fenómeno pode ocorrer em qualquer altura do ano. Todavia, podem ser identificados picos de frequência que variam conforme as diferentes regiões do globo. A maior probabilidade de ocorrência de tornados existe entre as 15 e as 21 horas, embora se tenha conhecimento de ocorrências a qualquer hora do dia ou noite.
Em Portugal Continental
Não existe, em Portugal, informação apurada sobre a frequência com que ocorrem, em território nacional, os tornados, ou trombas de água que, formadas no mar, evoluam para as regiões costeiras. Todavia, e de uma maneira geral, estima-se que existam em média, por ano, cerca de 2 ocorrências, valor pouco significativo quando comparado com outras regiões do globo.
Do conhecimento histórico que se tem do fenómeno em Portugal continental, o tornado que maior impacte causou no decorrer do último século foi o registado em Castelo Branco, no ano de 1954.
O relato que a seguir se apresenta é uma simples compilação do que alguma imprensa reportou em relação ao incidente de Castelo Branco e que, de algum modo, ilustra o poder de destruição que um fenómeno desta natureza pode exercer:
- Castelo Branco, 6 de Novembro de 1954, 12h50, duração 30 segundos. RuÃdo estranho, longÃnquo. Escureceu. “Uma enorme nuvem negra tendo um feitio estranho aproximava-se a uma velocidade fantásticaâ€. “Escuridão profunda e um ruÃdo espantoso†como se “milhares de aviões passassemâ€. 5 mortos, 220 feridos, mais de 40 000 pessoas com prejuÃzos. “O vento entrou pelo poenteâ€. Atinge metade da cidade, salva-se a zona do Castelo - a mais pobre.
Automóveis e camiões voltados e arrastados, chaminés e tectos de casas abateram, placas desabaram. Cobertura metálica do mercado arremessada, a enorme cúpula de ferro (com 8 grossos suportes de ferro) do coreto colocada no solo ao seu lado, portões separados dos gonzos e arremessados, pedregulhos, vidros, telhados, chaminés, fios eléctricos pelo chão.
Varandas retorcidas, persianas e montras partidas, uma trave vinda não se sabe de onde aparece numa varanda, automóveis de rodas para o ar ou encostadas à parede, “ideia de um bombardeamentoâ€, reclames luminosos destruÃdos, postes de iluminação e fios no chão, os carros que circulavam tinham estragos (vidros e faróis partidos, chapas amolgadas), enormes árvores caÃdas. “Uma delas que dois homens não abraçariamâ€. “Campo de milho que dava a impressão de por cima ter passado um enorme cilindroâ€. Ala esquerda do quartel de Cavalaria destruÃda, dois cavalos mortos.
Muros caÃdos, pessoas levadas, postes de ferro dobrados, camioneta carregada projectada a 20 m de distância e voltada, árvores dos arredores aparecem no centro da cidade, objecto identificado pertencente ao cemitério de Benquerenças (a 9 km) aparece junto ao Hotel de Turismo. Fardos de 120 kg de cortiça foram arremessados a 500 m.
Efeitos dos Tornados
De uma maneira geral, os danos causados pelos tornados consistem na danificação ou desmoronamento de
edifÃcios e muros e na projecção de objectos, nomeadamente viaturas e coberturas, constituindo uma ameaça significativa para as vidas humanas. Nos Estados Unidos da América, paÃs mais afectado por este tipo de catástrofe, os tornados são responsáveis por quase metade das mortes atribuÃdas a desastres derivados de fenómenos meteorológicos adversos.
Fotografia de Peter Willing
A classificação globalmente utilizada na identificação de graus de causa-efeito dos tornados é a escala de Fujita (escala F):
Escala de Fujita
Medidas de Autoprotecção
A primeira medida de protecção contra qualquer fenómeno adverso é, por excelência, a de não ceder ao pânico.
O que se pode fazer antes do aparecimento de um tornado:
Desenvolva um plano de emergência, para si e para a sua famÃlia, considerando várias situações (em casa, na rua, no trabalho, na escola) e prevendo os vários locais de abrigo possÃveis;
Conheça bem a zona que habita e adquira um mapa da região, de modo a poder acompanhar a evolução de um tornado pelos boletins meteorológicos;
Esteja atento à rádio e televisão, de modo a estar actualizado sobre a informação deste tipo;
Se planear um passeio para fora da sua região, informe-se sobre as previsões meteorológicas e tome as medidas necessárias caso o tempo seja ameaçador;
Realize exercÃcios sempre que possÃvel;
Durante a aproximação de um tornado:
Se está em casa, desligue a electricidade, água e gás, e desloque-se para um abrigo previsto, como uma cave;
Caso não tenha hipótese de se deslocar para um abrigo abaixo do solo, dirija-se para a divisão interior da casa, no piso mais inferior e coloque-se debaixo de uma peça de mobiliário resistente ou de um colchão;
Abra as janelas que se encontram do lado oposto à trajectória do tornado, para equilibrar as pressões, e mantenha-se afastado de todas elas;
Casas móveis, ou pré-fabricadas, oferecem pouca protecção, abandone-as;
Se estiver na rua deite-se em qualquer vala ou depressão que encontre fora da estrada, afastado de árvores, postes ou muros, e proteja a cabeça - tenha em atenção que grande parte das mortes e ferimentos provocados pelos tornados são causados pelo arrastamento de objectos e detritos.
Não tente fugir de um tornado de automóvel, saia imediatamente do veÃculo.
Por vezes os tornados desenvolvem-se tão rapidamente que os sinais prévios de alerta não são possÃveis. Esteja sempre atento a qualquer indÃcio de formação, ou aproximação, de um tornado.
Depois da passagem do tornado:
Siga todas as recomendações das autoridades competentes. Não propague rumores ou informações exageradas sobre a situação.
Se há feridos, reporte-os imediatamente aos serviços de emergência;
Certifique-se de que os seus alimentos estão em condições e não coma nada cru ou de origem duvidosa;
Limpe cuidadosamente qualquer derrame de substâncias médicas, tóxicas ou inflamáveis;
Inspeccione a sua casa para verificar que não há perigo de colapso;
Permaneça em sua casa, caso esta não tenha sofrido danos;
Mantenha desligados o gás, água e electricidade até estar seguro de que não há fugas nem perigo de curto circuito;
Use o telefone unicamente para reportar emergências;
Se tiver que sair evite tocar ou pisar postes ou cabos eléctricos;
Colabore com os seus vizinhos na reparação dos danos;
Em caso de necessidade, solicite a assistência das brigadas de salvamento ou das autoridades mais próximas.
Segurança nas escolas:
Todas as escolas devem ter um plano de emergência, e realizar exercÃcios com frequência.
Todas as escolas devem ser inspeccionadas e áreas de abrigo devem ser definidas pelas pessoas competentes. As caves oferecem, geralmente, a melhor protecção.
Os responsáveis pela activação do plano de emergência devem acompanhar a informação relativa ao estado do tempo;
Se o sistema de alarme da escola for eléctrico, deve ter sempre à mão um megafone ou corneta de ar comprimido para activar o alarme em caso de
falha de electricidade;
Tomar as precauções adequadas para alunos com deficiências fÃsicas;
Assegurar a responsabilidade de desligar o gás e electricidade em caso de emergência;
Manter as crianças na escola fora das horas regulares em caso de aproximação de um tornado;
Almoços, ou reuniões, em salas grandes devem ser adiados em caso de aproximação de um tornado;
Deslocar os estudantes rapidamente para o abrigo previsto, ou para as salas interiores no piso mais inferior e assegurar que todos assumem a seguinte posição:
Hospitais, Casas de Repouso, e outras instituições devem desenvolver Planos de Emergência semelhantes.
Fonte SNBPC