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Esperou quatro horas por socorro e morreu


 
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Autor Mensagem
Unimog



Sexo: Sexo:Masculino
Registrado em: 18 Out 2006
Mensagens: 79

MensagemColocada: Dom Jan 21, 2007 12:41 pm    Assunto:
Esperou quatro horas por socorro e morreu
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Cerca das nove da manhã de ontem, Fernando Santos, carpinteiro na Câmara de Odemira, sentiu dores no peito quando estava a pescar à linha, na Atalinha (Zambujeira do Mar). O alerta chegou aos Bombeiros de Odemira, às 09h16, através do telefonema de uma pessoa que também estava à pesca no mesmo local. De Odemira saiu uma ambulância com três socorristas, que demorou 25 minutos a percorrer 20 quilómetros para chegar ao local onde estava a vítima: no cimo de uma ravina. “Estava consciente. Queixava-se de dores no peitoâ€, disse ao CM o comandante dos Bombeiros de Odemira, Nazário Viana.

Depois de prestados os primeiros socorros, o que demorou 15 minutos, a ambulância rumou a Odemira, onde chegou às 10h35. “A vítima continuava conscienteâ€, assegurou Nazário Viana.

No Centro de Saúde (CS), Fernando Santos foi assistido por um médico de clínica geral. Mas o seu estado piorou e, às 11h01, o Centro de Orientação de Doentes Urgentes (CODU) recebeu um pedido do CS para ajudar a transferir um doente com enfarte agudo do miocárdio para o Hospital de Beja, que fica a mais de 100 quilómetros de Odemira.

Foi de imediato disponibilizada a Viatura Médica de Emergência e Reanimação (VMER), que chegou ao Centro de Saúde às 11h50. Por vezes, a ambulância de Odemira vai ao encontro da VMER, o que ontem não aconteceu, por não haver um médico disponível que acompanhasse Fernando Santos.

Mal chegou a Odemira, a equipa da VMER iniciou as medidas de estabilização do doente, mas este piorou. Os médicos do INEM decidiram então que tinha de ser transferido para um Centro de Cardiologia de Intervenção, em Lisboa, e às 12h45 solicitaram um helicóptero, que chegou a Odemira às 13h15.

No entanto, Fernando Santos, segundo a mesma fonte do INEM, entrou em falência cardíaca aguda com paragem cardio-respiratória: “Foram efectuadas manobras de reanimação durante cerca de 40 minutos, tendo sido verificado o óbito às 13h40.â€

SENTIU-SE MAL NA SEXTA-FEIRA

Na sexta-feira, Fernando Santos sentiu dores no peito e deslocou-se ao Centro de Saúde de Odemira, onde deu entrada às 11h25. “Fez um electrocardiograma, que nada acusou. Às 12h45, deixou o centroâ€, disse ao CM fonte da Administração Regional de Saúde do Alentejo.

A mesma fonte adiantou, também, que o clínico que atendeu Fernando Santos pediu-lhe para, com a máxima brevidade, consultar o seu médico de família.

CRONOLOGIA

09h16

Bombeiros de Odemira são alertados para se deslocarem ao lugar da Atalinha (Zambujeira do Mar), a cerca de 30 quilómetros.

09h51

Bombeiros chegam à praia da Atalinha.

10h35

Fernando Santos, de 57 anos, dá entrada no Centro de Saúde de Odemira. Estava consciente e queixava-se de dores no peito. “Foi-lhe diagnosticado um edema pulmonar por enfarte do miocárdioâ€, disse ao CM fonte do INEM.

11h05

Devido ao estado grave da vítima, é pedida a Beja a VMER (Viatura Médica de Emergência e Reanimação).

11h55

VMER chega a Odemira. Segundo o INEM, o doente estava em estado de “choque cardiogénicoâ€, sendo necessária a evacuação para Lisboa.

12h30

É pedido o helicóptero que está ao serviço do INEM.

13h00

Vítima entra em falência cardíaca aguda, com paragem respiratória.

13h15

Helicóptero aterra em Odemira.

13h40

É declarado o óbito de Fernando Santos.

"FICAREMOS PARA SEMPRE NA DÚVIDA"

Ontem de manhã, como de costume, Fernando Santos foi até à costa para pescar, a sua grande paixão. Contam testemunhas que começaram a vê-lo cambalear pela areia agarrado ao peito. Perdia forças a cada dois ou três passos.

“Na altura, alguém telefonou a pedir socorro. Até chegar ao Centro de Saúde de Odemira foi bastante rápidoâ€, disse Mário Santos, irmão da vítima. Já no local, com a chegada da Viatura Médica de Emergência e Reanimação (VMER), vinda de Beja, diz a família que começou o impasse – e a angústia.

Nas horas difíceis após a perda do ente pai e do irmão, a família de Fernando Santos lembra as mais de três horas de desespero no Centro de Saúde de Odemira. Mário Santos disse ainda ao CM que o irmão esteve sempre consciente até aos últimos minutos.

“Não sabíamos bem o que estava a acontecer. Notava-se um impasse enorme na hora de decidir o que fazer. Sabemos que o queriam estabilizar, mas nada aconteciaâ€, recorda, emocionado.

“Estávamos numa ânsia enorme. Somos leigos na matéria, mas podíamos perceber que a situação era grave. Nunca saberemos se viria a sobreviver se o socorro fosse mais rápido. Ficaremos para sempre na dúvida. Demorou muito tempo desde que entrou no centro de saúde. Três horas até chegar um helicóptero... é tempo a maisâ€, lamenta o familiar da vítima.

Fernando Santos vivia na zona das Barreiras Vermelhas, na periferia de Odemira, com uma das suas duas filhas. Tinha ficado viúvo há cerca de oito meses.

Mantinha uma relação muito próxima com os bombeiros locais: era cunhado de um deles e visitava o quartel com frequência.

“Era uma pessoa bastante querida e sempre pronto a ajudar. Sentiremos a sua faltaâ€, disse um amigo.

Na véspera do drama, o carpinteiro sentiu-se mal e procurou uma consulta no Centro de Saúde (ver caixa).

Após exames que nada revelaram foi-lhe recomendado repouso.

Acabou por morrer quando estava num dos seus sítios preferidos para pescar, o seu passatempo favorito.

RESPONSÃVEIS EXIGEM MEIOS

António Camilo, presidente da Câmara de Odemira, continua a exigir uma solução mais viável para a intervenção rápida de urgência, de modo a combater “o tempo e a distânciaâ€. O responsável avança com uma solução, que também já expôs ao ministro da Saúde: um meio de socorro intermédio, equipado para a primeira assistência, que possa trabalhar com paramédicos.

Nazário Viana, comandante dos Bombeiros de Odemira, diz estar “saturado†de mostrar a realidade da emergência em Odemira. Diz sentir-se muitas vezes “impotente†devido às características geográficas e às carências de infra-estruturas. “Não podemos encolher o concelho. Para nós, que nos dedicamos e amamos esta actividade, é duro perceber que nada podemos fazerâ€, desabafa. O comandante diz esperar, para breve, soluções que minimizem estas ocorrências trágicas.

"ORGULHOSO" POR NÃO ABRIR INQUÉRITO

Apesar das seis horas que demorou a operação de socorro à vítima de Odemira que morreu no passado dia 13, o ministro da Saúde, Correia de Campos, afirmou que estava “orgulhosoâ€, por ter “resistido ao facilitismo e à demagogia†de abrir um inquérito.

A declaração de Correia de Campos, feita no dia 19, foi fortemente criticada pelos deputados da Comissão Parlamentar de Saúde, na Assembleia da República. “Estou convencido, com base nas informações que me foram prestadas pelos serviços envolvidos na operação de socorro, apoiada em especialistas na área, de que foram tomadas as medidas mais adequadas.â€

António Oliveira foi atropelado no dia 9 de Janeiro, às 07h28, em Odemira. Chegou ao Hospital de Santa Maria, em Lisboa, às 13h10.

O CASO DE ANTÓNIO OLIVEIRA

António Oliveira, de 54 anos, esteve seis horas à espera de socorro, depois de ter sido atropelado. Morreu no dia 13 de Janeiro, no Hospital de Santa Maria, em Lisboa, para onde foi transportado, num helicóptero que o foi buscar a Odemira.

O ‘heli’ teve de voar a baixa altitude e à velocidade mínima, devido aos graves ferimentos que sofreu (traumatismo crânio-encefálico e fractura exposta de um braço), após ter sido atropelado, na estrada entre São Teotónio e Vila Nova de Milfontes.

Ao fim de cinco dias em Santa Maria, António morreu.

NOTAS

CARPINTEIRO DA AUTARQUIA

Fernando Santos trabalhava como carpinteiro na Câmara Municipal de Odemira há mais de dez anos. Era viúvo e deixou duas filhas.

SÓ UMA VIATURA MÉDICA NO ALENTEJO

No distrito de Beja, o maior do país, com 10 225 metros quadrados, apenas está disponível uma Viatura Médica de Emergência e Reanimação (VMER).

APAIXONADO PELA PESCA

Era o seu refúgio habitual nas horas vagas. Fernando Santos deslocava-se frequentemente até à praia para pescar, uma das suas grandes paixões.

FUNERAL REALIZA-SE HOJE, ÀS 13H00

O corpo de Fernando Santos está em câmara ardente na Igreja de Santa Maria, em Odemira. O funeral realiza-se hoje, às 13h00.


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Corpo de Bombeiro: Nenhum

MensagemColocada: Dom Jan 21, 2007 12:41 pm    Assunto:
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isa



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Corpo de Bombeiro: Nenhum

MensagemColocada: Qua Jan 24, 2007 10:13 pm    Assunto:
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QUE FAZEM OS MEDICOS DOS CENTROS DE SAUDE.RECEITA...ATENDEM DELEGADOS E MAIS???

Cursos: Tripulante de Ambulância de Socorro, Operador de Central, Chefe de Equipa de Salvamento e Desencarceramento, Chefe de Equipa de Combate a Incêndios Urbanos e Industriais, Chefe de Equipa de Acidentes com Matérias Perigosas, Chefe de Equipa de Combate a Incêndios Florestais, Formação Pedagógica Inicial de Formadores, Organização e Liderança, Gestão Operacional / Coordenação de Meios Aéreos
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