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Grávidas viajam sem segurança


 
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Autor Mensagem
Bravo33



Sexo: Sexo:Masculino
Registrado em: 19 Jun 2006
Mensagens: 1260
Local/Origem: Mealhada

MensagemColocada: Sex Jul 07, 2006 1:34 pm    Assunto:
Grávidas viajam sem segurança
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Grávidas viajam sem segurança
http://www.correiomanha.pt/getimage.asp?tb=IMAGENS&id=153207

Com o encerramento de pelo menos 13 maternidades em curso por todo o País, o transporte de grávidas e recém-nascidos em condições de segurança está longe de ser assegurado.
sta é a conclusão de um relatório da AssociaçãoPortuguesa de Medicina de Emergência (APME), que aponta graves deficiências ao nível dos equipamentos, recursos humanos e coordenação.

Segundo o documento a que o CM teve acesso, “a maioria das ambulâncias do INEM, destinadas a executarem socorro extra-hospitalar, não cumpre a lei, por ausência de parte essencial do equipamento exigido”. Entre eles, o doppler, um aparelho para avaliar o feto ‘in utero’; os fármacos de emergência e os respectivos equipamentos de administração (por exemplo, a seringa infusora); e os equipamentos de intubação.

As excepções são os meios colocados em Lisboa, Porto, Coimbra, Faro e Setúbal. “Nas áreas das maternidades a encerrar, o INEM não dispõe ainda de ambulâncias em número adequado, que cumpram a lei”, avança o relatório.

Já no que toca aos VMER (Viatura Médica de Emergência e Reanimação) e aos helicopteros do INEM, faltam os medicamentos de emergência, o que deixa as grávidas, na prática, sem qualquer “transporte em total segurança”.

FORMAÇÃO DEFICIENTE

Outra das questões levantadas no relatório é a deficiente formação dos profissionais envolvidos no socorro e transporte das grávidas, desde médicos, enfermeiros e tripulantes de ambulâncias. “As equipas médicas do INEM não estão habilitadas ao ponto de poderem substituir um especialista em obstetrícia”, pode-se ler no documento. E mais: “A maioria dos médicos nunca realizou um parto” e a formação dos tripulantes de ambulância “inclui a vertente teórica do parto, sem qualquer treino obrigatório numa sala de partos”.

Além disso, “a formação de prestação de cuidados de emergência ao recém-nascido limita-se ao suporte avançado de vida, treinando, nomeadamente, a intubação, no manequim e não num recém-nascido”.

Tal como o presidente da APME, Vítor Almeida, alertou anteontem na Comissão Parlamentar de Saúde, o relatório refere que “não é raro encontrar grávidas transferidas de centros de saúde só com um motorista a bordo que nem sequer possui formação de tripulação de ambulância de transporte”. Um exemplo disso foi o polémico caso de uma grávida transportada do Hospital de Elvas para Portalegre, sem qualquer enfermeira a bordo, que perdeu o feto.

Segundo apurou o CM, quatro horas após o fecho da maternidade de Barcelos, a primeira grávida a ser transferida para Braga não foi acompanha por técnicos de sáude.

“Qualquer encerramente de maternidades, sem que seja assegurada uma rede eficaz de socorro, pode indubitavelmente, colocar em risco a vida de mães e filhos”, conclui o relatório.

MÉDICOS É QUE DECIDEM

Quem decide sobre as condições de transporte de doentes de um hospital para o outro é a equipa médica daquele de onde é transferido. O Instituto Nacional de Emergência Médica declina, neste caso, qualquer tipo de responsabilidade. Quanto ao equipamento das viaturas, fonte do INEM sublinha a vocação para o socorro rápido. “O INEM não tem viaturas de cuidados intensivos.”

FALHAS APONTADAS

EQUIPAMENTO

As ambulâncias não estão apetrechadas com equipamentos para monitorização da frequência cardíaca do feto, de administração de medicamentos e de intubação.

MEDICAMENTOS

Os veículos de transporte de doentes não dispõem ainda de fármacos de emergência, tais como oxitocina e misoprostol rectal, para evitar hemorragias pós-parto.

MÉDICOS

Os obstrectas representam menos de cinco por cento dos médicos a exercer no INEM, sendo que a maioria destes profissionais nunca realizou um parto, já que tem outro tipo de especialidades.

TRIPULANTES DE AMBULÂNCIA

A formação destes voluntários ou profissionais não inclui qualquer treino obrigatório numa sala de partos. Os tripulantes não estão ainda habilitados a realizar reanimações.

AUSÊNCIA DE TÉCNICOS

Ausência de técnicos. O transporte de pacientes efectua-se raramente de forma legal, já que poucas ambulâncias são tripuladas por três elementos, como a lei exige.

COORDENAÇÃO

A coordenação de doentes urgentes é feita em Lisboa e no Porto, longe do Interior do País, o que leva a problemas de coordenação de meios por desconhecimento das vias de acesso.

TEMPO

A rede de ambulâncias com um tempo de chegada entre 8 a 12 minutos não cobre o País. Viseu, Guarda, Faro, entre outras cidades, são alguns dos exemplos.

INEM

Não dispõe de ambulâncias em número adequado que cumpram a lei e a sua função essencial é prestar socorro pré-hospitalar e não proceder a transferências inter-hospitalares.

VMER

As viaturas médicas de emergência e reanimação não são vocacionadas para o transporte secundário de doentes, como a transferência de grávidas, mas para emergência extra-hospitalar.

HELICÓPTEROS

Os meios aéres de emergência do INEM, apesar de terem grande parte do equipamento necessário, não dispõem de fármacos de emergência.

PARLAMENTO OUVE PRESIDENTE DO INEM NA PRÓXIMA QUARTA-FEIRA

O presidente do Instituto Nacional de Emergência Médica (INEM), Luís Cunha Ribeiro, reserva para quarta-feira, na Comissão Parlamentar de Saúde, explicações sobre as situações denunciadas pelo dirigente da Associação Portuguesa de Medicina de Emergência (APME).

Segundo apurou o CM, Cunha Ribeiro deverá sublinhar aquela que considera ser a missão fundamental do INEM: estabilizar o doente no caminho para o hospital.

Os reparos de Vítor Almeida, presidente da APME, não são estranhos ao INEM.

No final de 2004 e de novo quando o ex-Presidente da República, Jorge Sampaio, visitou o instituto, o mesmo responsável havia criticado o sistema de emergência médica.

“Agora limitou-se a adaptar o que dissera antes ao transporte de grávidas”, afirmou fonte daquele instituto, para quem o relatório anteontem apresentado no Parlamento “baralha tudo”, nomeadamente o transporte de emergência e o transporte entre dois hospitais diferentes.

Já sobre a disponibilidade de medicamentos de emergência preventivos de hemorragias, a mesma fonte lembrou faltar acordo sobre os respectivos benefícios. “Nos últimos três anos não se registou qualquer situação de hemorragia neste contexto dentro das viaturas de emergência.”

Assinala-se, igualmente, que é nas grandes cidades que se regista o maior número de partos extra-hospitalares.

Certo é que “o INEM não tem viaturas de cuidados intensivos; tem ambulâncias de socorro”.

O mesmo raciocínio aplica-se às supostas deficiências de formação do pessoal que segue nos veículos de emergência. “Não são, naturalmente, especialistas em Obstetrícia nem têm de sê-lo.”

Segundo Vítor Almeida, a formação em Emergência de Obstetrícia ministrada pelo INEM é de “poucas horas”. O INEM precisou que é de um dia.

PSD QUER EXPLICAÇÕES

O deputado do PSD Fernando Santos Pereira, um dos principais rostos na luta contra o encerramento na maternidade de Barcelos, sublinhou que as denúncias da Associação Portuguesa de Medicina de Emergência (APME) vêm comprovar que não está a ser cumprido o despacho emitido pelo ministro da Saúde. Este documento deixava claro que as maternidades só seriam encerradas quando estivessem garantidas todas as condições de segurança para o transporte das grávidas. O deputado garantiu ao CM que irá pedir esclarecimentos ao presidente do INEM na quarta-feira sobre as questões levantadas pela APME.

fonte:correio da manhã
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MensagemColocada: Sex Jul 07, 2006 1:34 pm    Assunto:
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